segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A CRIANÇA E O ADOLESCENTE DO SÉCULO XXI


“Então, um belo dia, a lagarta inicia a construção do seu casulo. Este ser que vivia em contato íntimo com a natureza e a vida exterior, se fecha dentro de uma “casca”, dentro de si mesmo. E dá início à transformação que levará a um outro ser, mais livre, mais bonito (segundo algumas estéticas) e dotado de asas que lhe permitirão voar. Se a lagarta pensa e sente, também o seu pensamento e o seu sentimento se transformarão. Serão agora o pensar e o sentir de uma borboleta. Ela vai ter um outro corpo, outro astral, outro tipo de relação com o mundo.” (Becker, 1997:14)

APRESENTAÇÃO
           
O conceito sobre infância apresentou inúmeras vertentes ao longo da história. Até o século passado a criança era vista de forma oculta, sem valorização e, a partir de interesses externos, alguns espaços começaram a ser garantidos no que diz respeito à sociedade, assumindo um caráter protagonista no meio em que vive.
Kuhlmann Junior explicita que:
“É preciso considerar a infância como uma condição da criança. O conjunto de experiências vividas por elas em diferentes lugares históricos, geográficos e sociais é muito mais do que uma representação feita por adultos sobre esta fase da vida. É preciso conhecer as representações da infância e considerar as crianças concretas, localizá-las nas relações sociais, etc., reconhecê-las como produtoras de história. (...) a infância, mais do que um período definido biologicamente é uma categoria que surge ao longo das transformações da sociedade e se torna uma referência histórica, cultural e social” (1998, p. 21-31).”
No que diz respeito à adolescência, os olhares do século XXI a vêem como uma construção sócio-histórica que requer diferentes posturas de quem os acompanha, frente às transformações sociais, culturais, políticas, econômicas e tecnológicas.
A palavra adolescência origina-se no termo em latim adolescere, que significa amadurecer, crescer e desabrochar, adoecer.  Nessa fase, há um imenso entre o desenvolvimento do corpo biológico e psicológico mergulhados em crises que os reconfiguram. Trata-se de um período de contradições, confusões, ambivalências, dores, e de um tempo caracterizado por atritos com o meio familiar e social.
Nesse contexto, emergem sujeitos de direitos com novas subjetividades, cujas expressões de existência e de formas de inserção em múltiplos e simultâneos contextos indicam a necessidade de abordagens inovadoras e sintonizadas com essa realidade, que cotidianamente se torna mais complexa nas suas interfaces: família, escola, trabalho e grupos/redes de convivência.
Desde o início da primeira década do século XXI observa-se que os adolescentes dispõem de maior acesso ao conhecimento e de mais neutralidade moral. Não há, por exemplo, uma clara definição do que é certo ou errado. O que é certo para um, pode não o ser para outro. É o espaço do relativo. Depende do ângulo em que se observa... É neste século, também, que se observa com maior maturidade o protagonismo juvenil, por meio de uma participação construtiva, envolvendo-se com as questões da própria adolescência/juventude, assim como, com as questões sociais do mundo e da comunidade.

INTRODUÇÃO

            Num tempo de muitos acertos e ainda grandes dificuldades, as escolas caminham numa busca incessante de resolver, contornar e se firmar em propostas desafiadoras que permeiam a educação em tempo integral. Tem buscado novas posturas e procurado abrir suas portas, à medida do possível, na tentativa de integrar toda a comunidade escolar em trabalhos e eventos diversos.
Diante desse fato, nosso grupo de trabalho com o curso de Educação Integral e Integrada, “Tecendo Experiências”, pediu espaço em algumas escolas, onde trabalhou com observação, acompanhamento e entrevistas com crianças e adolescentes, em contextos intra e extra-escolares, levando em consideração as especificidades de cada um, com o objetivo de levantar dados que pudessem subsidiar a pesquisa da Cartografia do Módulo III, discutindo os sujeitos e suas práticas socioculturais, considerando:
. Projetos realizados na escola
. Envolvimento das crianças/adolescentes nos projetos
. Aprendizagens garantidas
. Participação da comunidade nas atividades da escola
. Utilização dos espaços/territórios da cidade
. Participação de grupos/ações sociais
. Valores priorizados pelas crianças e adolescentes.
. Outros.
Atividades realizadas:

01-  Observação e acompanhamento de um projeto da E.M. Olegário Maciel

A escola desenvolveu o Projeto LiterArte com alunos do 1º ano do Ciclo da Infância ao 3º ano do Ciclo da Adolescência, com a coordenação dos professores de Artes Visuais, Ciências e Biblioteca, envolvendo os três eixos temáticos.

Objetivo geral do projeto:
- garantir aos alunos o acesso aos bens culturais, lançando mão de instrumentos e estratégias diversas, que oportunizem a aprendizagem das disciplinas dos eixos temáticos de forma lúdica.

Durante o desenvolvimento do projeto, os principais responsáveis, cuidaram do envolvimento dos professores e suas disciplinas, e também de outros funcionários que poderiam colaborar de alguma forma. Buscaram fortemente uma participação efetiva dos alunos, na condição de promover muitas aprendizagens para todos. A intenção foi grande também, na questão de trabalhar a consciência do sentimento de pertença e o relacionamento humano no local de trabalho e estudo.
A culminância foi marcada por um grande evento com mostras de todos os trabalhos realizados durante o período. Foram apresentados também, números artísticos, teatros, danças, poesias, musicais e outros, conforme fotos abaixo:




























Após a culminância, o grupo “Tecendo Experiências”, elaborou uma entrevista sobre o desenvolvimento e o resultado do projeto em questão e aplicou a alguns alunos. As respostas foram satisfatórias e foram compartilhadas com o grupo responsável, equipe administrativa e pedagógica da escola. Sem dúvida alguma que esse projeto terá boa repercussão, ainda, por um bom tempo na escola.

02- Entrevista com os alunos da E.M.Olegário Maciel, sobre os resultados do projeto LiterArte

A Escola Municipal Olegário Maciel, desenvolveu o Projeto LiterArte com os alunos do Ciclo da Infância, Ciclo da Pré-Adolescência e Ciclo da Adolescência. O Projeto foi uma iniciativa da professora de Artes Visuais, seguida da parceria com as professoras de Ciências e Biblioteca, que buscaram também a integração e o envolvimento com os três eixos temáticos.
A entrevista foi realizada com alguns alunos que participaram efetivamente das atividades com o Projeto.
Questões abordadas:
1) Como surgiu o projeto na escola?
2) Quanto tempo durou o projeto?
3) Como foi a sua participação no projeto?
4) De quais atividades participou?
5) O que você mais gostou de realizar/participar?
6) O que você aprendeu no desenvolvimento do projeto?
7) Você considera importante o trabalho com projetos na escola? Justifique.
Análise da entrevista:
Constatamos que o projeto oportunizou aprendizagens diversas e significativas em todas as áreas. Dentre as ações realizadas, destacamos o chá literário, como uma das primeiras iniciativas do projeto.
O projeto agradou a todos, crianças e adolescentes, que deram depoimentos de melhorarem nos estudos, aprenderam a apresentar trabalhos em público, dançar, dramatizar, conviver em grupo, respeitando regras e combinados. Relataram que o trabalho com projetos na escola é importante, pois envolve os alunos e os aproxima dos professores. Aproxima, também, a comunidade da escola que pode perceber e valorizar os trabalhos que realizam.

Considerações Finais sobre o projeto LiterArte

            A realização do projeto proporcionou à escola muita satisfação e novos saberes. O envolvimento de crianças e adolescentes num mesmo contexto, onde o protagonismo juvenil se fez presente, foi uma grande conquista. Foi um tempo de ensino e de aprendizagens diversas, com diálogos, discussões e, às vezes, confrontos. Tudo isso seguido de muita produção de ideias e de ações.


3- Observação de espaços extra-escolares

O grupo “Tecendo experiências” observou adolescentes e crianças em três comunidades periféricas do nosso município:
- E.M. Olegário Maciel – Bairro Nova JK
- E.M. Ivo de Tassis – Bairro Turmalina
- E.M. Prof. Helvécio Dahe – Bairro Santa Rita
Nosso grupo pediu permissão às escolas citadas para entrevistar alguns alunos do CPA e CA. No momento em que foram chamados, houve alguns questionamentos: porque, para que, para quem e outros. Foi explicado a eles sobre o propósito da entrevista, como já estava planejado. Todos se prontificaram.
A entrevista foi composta com as questões listadas abaixo.
1) Qual o seu percurso de casa para a escola? Como você faz o trajeto de casa para escola e com quem você vai? Qual o bairro que você mora?
2) Quem você encontra nesse percurso? O que ele faz? O que há no meio do caminho?
3) E no final de semana, quais atividades você desenvolve?
4) Que outros lugares da cidade você conhece/
5) Como você se locomove na cidade?
6) Quais os pontos de encontros no bairro (praças, quadras, igrejas, centro comunitários associações, projetos, eventos, festas comemorativas etc)?
Você participa de algum tipo de projeto no seu bairro? Se sim, qual a sua participação?
7) Onde você costuma brincar, se divertir ou se encontrar com seus amigos?
Quais são suas brincadeiras?
8) Existe algum movimento/grupo juvenil no seu bairro? Você participa de algum deles?

            De acordo com as respostas dos alunos, constatamos que:
- O percurso da casa para a escola é feito de bicicleta ou a pé, com amigos e/ou irmãos.
- Durante o percurso encontram amigos, professores dos anexos, parentes, pessoas de comportamentos estranhos e outros.
- As atividades mais desenvolvidas se resumem em: jogar bola, sair com os amigos, mexer no computador, assistir televisão, ir para roça, auxiliar nos serviços domésticos, tocar violão.
- Os lugares mais conhecidos: shopping, bairros adjacentes, Pico da Ibituruna, clubes, parques, fazendas.
- Os meios de locomoção mais utilizados são: bicicleta, moto, ônibus e, na maioria das vezes, a pé.
- Pontos de encontro no bairro: igreja, quadra de futsal, centro de festas, clubes, área do posto de saúde.
- Atividades de lazer: conversar com os amigos, dançar, prática de esportes e brincadeiras (futebol, vôlei, peteca, queimada, xadrez, pular corda), tv (filmes), tocar bateria e violão.
- Movimentos juvenis no bairro: projetos nas igrejas, ProJovem adolescente, Programa Segundo Tempo.

Considerações finais do trabalho

            Percebemos que os alunos que representam nossa demanda na ETI, convivem mais diretamente com os grupos de seus próprios bairros, tendo como maiores referências, as escolas e as igrejas. Alguns não têm muito acesso ao centro da cidade, tampouco às promoções de lazer e cultura.  Pontuamos assim, a importância e a necessidade da Escola em Tempo Integral e do Programa Mais Educação na vida destas crianças e adolescentes, para garantir de fato uma formação mais plena, uma vez que a sociedade por si só, não oferece suporte e/ou políticas públicas suficientes para minimizar os problemas e carências existentes.

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